Com a criminalidade que cerca as áreas residenciais de Taguatinga Norte, nos últimos tempos, muitos moradores decidiram não esperar por ações do poder público. Em várias quadras da região, como QNJ, QNL e QNG, grupos de vizinhos se organizaram e instalaram sistemas de videomonitoramento com recursos próprios. As câmeras são conectadas a uma central acessada por celular e computador, oferecendo mais controle sobre quem entra e sai dos conjuntos habitacionais.
Nos últimos três meses, ao menos seis furtos de cabos dessas câmeras foram registrados, segundo relatos em grupos comunitários de WhatsApp. “A gente faz vaquinha, compra os equipamentos, instala tudo e em menos de um mês levam os cabos. A rua volta a ficar escura e vulnerável”, relata Fátima Silva, aposentada e moradora da QNJ há mais de 30 anos.
A motivação por trás desses furtos vai além do vandalismo. Os fios são, na maioria das vezes, compostos por cobre, metal nobre com valor de mercado elevado no comércio ilegal de sucata. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Reciclagem de Metais (ABREMET), o quilo do cobre pode ultrapassar R$ 40,00 no mercado paralelo.
“É um ciclo vicioso. Os cabos são alvos porque viram dinheiro rápido. E isso afeta toda a comunidade que já está cansada de ser negligenciada”, comenta o sociólogo e pesquisador de segurança urbana, Edmar Neves.
A Polícia Civil afirmou que está investigando os casos, mas moradores cobram ações imediatas. “Queremos rondas noturnas e alguma forma de identificar os receptadores desse material”, diz André Souza, porteiro e voluntário da associação de moradores da QNL.
Impacto direto no cotidiano
Prejuízos financeiros recorrentes, sensação de insegurança, retração de atividades noturnas nas ruas e perda da mobilização comunitária.
A tendência, segundo especialistas, é que o problema se agrave se medidas como monitoramento por fibra óptica ou parcerias público-privadas não forem implementadas com urgência.


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