Em um movimento que promete ampliar as tensões no Oriente Médio, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, confirmou nesta quinta, 14, a intenção de erguer milhares de novas moradias entre Jerusalém e o assentamento de Ma’ale Adumim. A iniciativa, segundo o próprio ministro, tem como meta inviabilizar de forma definitiva a criação de um Estado palestino.
A área escolhida para a expansão é estratégica: ao conectar os assentamentos a Jerusalém, poderá isolar Jerusalém Oriental do restante da Cisjordânia, território que os palestinos reivindicam como parte fundamental de seu futuro Estado. Para Smotrich, líder da ala ultranacionalista do governo de Benjamin Netanyahu, a medida “enterrará de vez” qualquer negociação nesse sentido.
A proposta, entretanto, enfrenta forte resistência dentro de Israel. A organização Peace Now, contrária à colonização de territórios ocupados, classificou o plano como “um passo rumo ao abismo” e acusou o governo de avançar “a todo vapor” em uma direção que ameaça a estabilidade regional. A entidade também criticou o papel do gabinete militar, responsável por autorizar novos assentamentos, cuja análise do projeto está prevista para a próxima quarta-feira.
Mesmo sob pressão de grupos de oposição e organizações da sociedade civil, Smotrich manteve o tom desafiador, argumentando que não há motivo para reconhecer um Estado palestino. Já para críticos, o plano representa não apenas um revés diplomático, mas também um risco de agravamento da violência no território ocupado.


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