O conselho de administração dos Correios aprovou neste sábado, 29, a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa e financiar a reestruturação da estatal, que acumula doze trimestres seguidos de prejuízo. A operação, que ainda depende do aval do Tesouro Nacional, será a maior garantia concedida pela União a uma estatal, governo estadual ou município em pelo menos 15 anos.
A proposta escolhida foi apresentada por um sindicato formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra, grupo que topou cobrir integralmente o valor solicitado. Caso a empresa não consiga honrar os pagamentos, a União assume integralmente a dívida. A taxa de juros ficou ligeiramente abaixo da rodada anterior, que chegava a 136% do CDI, mas segue próxima desse patamar. Segundo interlocutores, os bancos desistiram de exigir contrapartidas consideradas incomuns em operações garantidas pelo governo, como metas de lucro mínimo e uso de recebíveis futuros.
O financiamento chega em um momento de forte deterioração das contas da empresa. Entre janeiro e setembro, os Correios registraram prejuízo de R$ 6,1 bilhões — quase o triplo do rombo de um ano antes, e viram a receita cair 12,7%, para R$ 12,35 bilhões. As despesas gerais e administrativas, por outro lado, aumentaram 53,5%, impulsionadas por decisões trabalhistas desfavoráveis. A estatal também deve quitar, com parte do novo crédito, uma operação de R$ 1,8 bilhão contratada no primeiro semestre.
A situação tem pressionado as contas públicas. O Ministério da Fazenda elevou a projeção de déficit dos Correios para R$ 5,8 bilhões em 2025, piorando o desempenho fiscal das estatais federais. O secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, classificou a situação da empresa como “muito ruim” e afirmou que ela tem impacto direto na meta do 5º bimestre, podendo aumentar o contingenciamento no próximo ano.
Durigan disse ainda cobrar do presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, um plano mais robusto de reestruturação, ponto considerado essencial pelos bancos para avaliar a capacidade de pagamento da estatal. Mesmo com o agravamento da crise, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que não há debate dentro do governo sobre privatização. Para a equipe econômica, porém, o sucesso da operação de R$ 20 bilhões é crucial para dar fôlego à empresa e tentar frear a escalada dos prejuízos.


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