Mais de mil moradores formaram uma longa fila neste domingo, 30, para homenagear as vítimas do incêndio mais letal de Hong Kong em mais de sete décadas, enquanto cresce a pressão por respostas diante de suspeitas de negligência estrutural no complexo residencial atingido.
A cerimônia ocorreu às margens de um canal próximo ao conjunto Wang Fuk Court, onde sete torres em reforma foram consumidas pelas chamas. A polícia elevou para 146 o número de mortos após concluir buscas em cinco edifícios, e mais de 40 pessoas seguem desaparecidas. Corpos foram encontrados em escadarias e telhados, sugerindo tentativas desesperadas de fuga.
O ambiente de luto contrastou com a indignação de moradores, que criticam a ausência de alertas de risco e apontam práticas de construção inseguras. O cheiro de fumaça ainda dominava a região quatro dias após o desastre, alimentando questionamentos sobre o material utilizado nos andaimes e no revestimento externo.
Familiares colocaram flores brancas e bilhetes dedicados às vítimas. Entre eles, Joey Yeung, de 28 anos, que perdeu o apartamento da avó no incêndio e relatou ter ido ao local em busca de justiça para os mortos e sobreviventes.
Pequim, por sua vez, advertiu que utilizará a lei de segurança nacional para coibir protestos relacionados à tragédia, em meio ao crescente clima de comoção e cobrança por responsabilização.


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