A escalada de furtos de cabos de iluminação pública no Distrito Federal transformou-se em um dos principais desafios urbanos de 2025. Com mais de 86 quilômetros de fiação arrancados desde janeiro, o problema atinge diretamente a segurança, a mobilidade e a infraestrutura de diversas regiões, provocando apagões recorrentes e elevando os custos de manutenção em toda a capital.
As ações criminosas ocorrem em diferentes horários e avançam tanto por vias movimentadas quanto por áreas residenciais e pontos turísticos. Cada ocorrência exige da CEB Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes) um processo complexo de reposição: troca de cabos, reconstrução de circuitos, substituição de luminárias e, muitas vezes, a recuperação completa de trechos danificados. O esforço adicional compromete o cronograma regular de manutenção e aumenta a vulnerabilidade de regiões já prejudicadas.
A Asa Norte, especialmente a faixa das quadras 700, permanece como o principal foco dos ataques. Para tentar conter o problema, a CEB IPes contratou uma empresa especializada para reforçar com solda as janelas de inspeção que dão acesso à rede subterrânea, além de intensificar as manutenções de rotina. Medidas complementares também foram adotadas, como a instalação de braços de iluminação ligados à rede aérea e a substituição de cabos de cobre por alumínio, material de menor valor para receptadores.
Nem mesmo áreas simbólicas da capital estão protegidas. A Catedral Metropolitana de Brasília foi alvo recente de vandalismo, com refletores arrancados e arremessados no espelho d’água, apesar do uso de fiação em alumínio. Na Esplanada dos Ministérios, equipes trabalham nesta semana para reconstruir o circuito de iluminação do entorno do Museu Nacional, após o furto de mais de 500 metros de cabos subterrâneos. Apenas na iluminação pública, o prejuízo financeiro já supera R$ 1,6 milhão.
Diante do agravamento do problema, o governo federal sancionou a Lei nº 15.181/2025, que aumenta as penas para furto, roubo e receptação de cabos elétricos. As punições agora vão de 2 a 8 anos para furto qualificado, de 6 a 12 anos para roubo e podem chegar a 16 anos em casos de receptação qualificada. A Polícia Civil do DF conduz as investigações, já identificou uma quadrilha suspeita e reforça que denúncias feitas pelos telefones 190 e 197 são fundamentais para mapear áreas vulneráveis e orientar as operações.


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