A segunda parcela do 13º salário, que deve ser paga até o dia 20 de dezembro, deve movimentar R$ 131,8 bilhões na economia brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento nominal de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado e alta real de 0,7%, já descontada a inflação.
Apesar do volume expressivo de recursos, a maior parte do dinheiro não deve ir para o consumo. Pelo quinto ano consecutivo, o principal destino do 13º será o pagamento de dívidas, que deve absorver 35% da segunda parcela, o equivalente a R$ 45,8 bilhões. Os gastos no comércio somam R$ 36,5 bilhões, enquanto os serviços devem receber R$ 33,8 bilhões e a poupança, R$ 15,7 bilhões.
De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o comportamento reflete a pressão financeira enfrentada pelas famílias. Segundo ele, em um cenário de juros elevados e renda comprometida, o 13º salário tem sido fundamental para o reequilíbrio do orçamento doméstico, embora limite um estímulo mais forte ao consumo.
O endividamento elevado ajuda a explicar esse cenário. A CNC estima que, ao fim de 2025, cerca de 30,9% da renda média das famílias estará comprometida com dívidas. Dados do Banco Central mostram que a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 58,7% ao ano, enquanto a inadimplência alcançou 5,6%, o maior patamar em mais de uma década.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, 79,2% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior índice da série histórica iniciada em 2010. Para a CNC, mesmo com um mercado de trabalho mais favorável, o alto custo do crédito e o endividamento reduzem o impacto do 13º salário sobre as vendas no fim do ano.


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