Em meio a uma onda de protestos que se espalha por diversas cidades iranianas e já deixou centenas de mortos, o governo do Irã afirmou nesta segunda, 12, que segue mantendo diálogo com os Estados Unidos, enquanto o presidente norte-americano Donald Trump avalia medidas diante da repressão violenta adotada pelo regime contra os manifestantes.
No domingo, Trump declarou que Washington pode se reunir com autoridades iranianas e que mantém contatos com setores da oposição do país, ao mesmo tempo em que ampliou o tom de pressão sobre Teerã. O presidente dos EUA voltou a citar, inclusive, a possibilidade de ações mais duras diante da resposta letal das forças de segurança iranianas às manifestações.
Segundo a organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, ao menos 544 pessoas morreram desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, sendo 496 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança. Ainda de acordo com a entidade, mais de 10,6 mil pessoas foram presas no período, enquanto o governo iraniano mantém um bloqueio severo à internet, dificultando o fluxo de informações.
As manifestações começaram com reivindicações ligadas à crise econômica, mas evoluíram para pedidos diretos pela queda do regime clerical instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. Apesar da dimensão dos atos, não há sinais claros de divisão entre a liderança religiosa, as Forças Armadas ou os aparatos de segurança, e a oposição segue sem uma coordenação centralizada.
O governo iraniano não divulga números oficiais de mortos e atribui a violência a interferências externas, acusando Estados Unidos e Israel de apoiarem grupos classificados como terroristas. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o canal de comunicação entre o chanceler Abbas Araqchi e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, permanece aberto, com troca de mensagens “sempre que necessário”.


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