O Irã declarou nesta sexta, 20, que não retomará as negociações sobre seu programa nuclear enquanto continuar sendo alvo de ataques por parte de Israel. A afirmação ocorre em meio a uma escalada militar entre os dois países e ao esforço da Europa para reativar o diálogo diplomático. Enquanto isso, os Estados Unidos avaliam se devem se envolver diretamente no conflito. Durante a madrugada, o Irã lançou mísseis contra a cidade israelense de Beersheba, enquanto Israel relatou novos ataques a alvos militares em Teerã, incluindo locais ligados à produção de mísseis e armas nucleares.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, descartou negociações com os Estados Unidos enquanto persistirem os ataques israelenses, mas deve se reunir com representantes da União Europeia em Genebra ainda nesta sexta-feira. Diplomatas europeus afirmam que os EUA permanecem abertos ao diálogo, embora vejam poucas chances de avanço. A tensão aumentou após a ofensiva israelense iniciada em 12 de junho, com o objetivo de destruir as capacidades nucleares e balísticas do Irã. Israel sustenta que o Irã está perto de desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega, dizendo que seu programa é pacífico.
Ambos os lados dizem atacar alvos militares, mas civis foram atingidos, incluindo prédios residenciais em Teerã e Beersheba. A ONG Human Rights Activists News Agency afirma que 639 iranianos foram mortos nos bombardeios, entre eles militares e cientistas nucleares. Israel, por sua vez, registrou a morte de ao menos duas dezenas de civis. Especialistas alertam que ataques a certas instalações nucleares, como a usina de Bushehr, podem representar risco de desastre. Em meio ao conflito, crescem as tensões internas no Irã, mas o cenário de guerra tem dificultado manifestações populares contra o regime.


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