Apesar do crescimento vigoroso da economia brasileira, a inflação continua disseminada e acima da meta, o que obriga o Banco Central a manter a taxa de juros em um dos níveis mais altos das últimas décadas. A avaliação foi feita pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta quarta, 9.
Segundo Galípolo, cerca de 72,5% dos itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanecem acima da meta estabelecida — cenário que, para o BC, exige firmeza na condução da política monetária. “A inflação não está localizada, é generalizada. E, diante disso, não há espaço para leniência com a meta de 3%”, afirmou.
O presidente do BC criticou as sugestões de que a autoridade monetária poderia flexibilizar seu compromisso com a meta, e lembrou que essa meta decorre de decreto governamental. “Ela não é uma sugestão. É uma obrigação legal.”
A taxa Selic foi elevada em 0,25 ponto percentual no mês passado, chegando a 15% ao ano — maior patamar em 20 anos. Galípolo adiantou que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia encerrar o atual ciclo de alta, mas sinalizou que os juros devem permanecer elevados por um período prolongado.
Mesmo com a exclusão do desempenho do agronegócio — que deve registrar safra recorde em 2025 — o restante da economia, segundo ele, segue em ritmo forte, o que contribui para a pressão sobre os preços. Galípolo também afirmou que, ao longo de 2024, os juros não estavam suficientemente altos para conter a inflação, justificando as recentes elevações.


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