Apesar de ter sido anunciada como uma solução para o caos urbano e o estacionamento irregular, a privatização dos espaços ao redor da Rodoviária do Plano Piloto ainda enfrenta forte resistência da população. Nos últimos dias, telejornais locais têm mostrado o que se tornou visível a quem passa pelo coração da capital federal: os estacionamentos geridos pela iniciativa privada, tanto nos arredores da rodoviária quanto em frente aos shoppings Conjunto Nacional e Conic, estão praticamente vazios.
A baixa adesão reforça as críticas de especialistas e usuários que já alertavam para os riscos de uma concessão feita sem amplo debate público. Segundo motoristas entrevistados pela reportagem, o principal motivo da rejeição é o alto custo das vagas, considerado abusivo – especialmente para quem trabalha na região e precisa estacionar por longos períodos.
Atualmente, os valores cobrados giram em torno de R$ 7,00 por hora e até R$ 30,00 a diária, o que, na avaliação de trabalhadores locais, inviabiliza totalmente o uso frequente. “Antes eu chegava cedo e conseguia uma vaga no canteiro central, sem custo. Agora, se quiser ficar o dia todo, pago quase R$ 30. É inviável para quem ganha pouco”, reclama Marta Andrade, auxiliar administrativa que atua em um escritório próximo ao Setor de Diversões Sul.
Outro ponto crítico é o impacto no comércio. Lojistas relatam queda no movimento desde a implantação da cobrança. “Muita gente deixou de vir para almoçar ou comprar aqui porque não quer pagar estacionamento. Isso afasta o cliente”, afirma André Luiz, dono de uma loja de eletrônicos no Conjunto Nacional.
O cenário pode indicar um equívoco de estratégia por parte do GDF e do consórcio que administra as áreas. Para o urbanista Henrique Vasconcelos, a situação revela um erro clássico: “Implementar cobrança sem ofertar alternativas viáveis, como transporte público eficiente ou ciclovias conectadas, só penaliza quem depende do carro.”
A Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF afirmou, por meio de nota, que os contratos de concessão estão sendo monitorados e que ajustes podem ser feitos conforme a demanda e o retorno social da medida.
Por enquanto, o que se vê é um centro da cidade com vagas livres — mas não por organização, e sim por rejeição.


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