Engarrafamentos diários no DF escancaram omissão diante de um trânsito caótico

O Distrito Federal vive uma rotina insustentável de caos no trânsito. Nas primeiras horas da manhã e no início da noite, o deslocamento entre o Plano Piloto e as regiões administrativas do Entorno e do DF se transforma em um verdadeiro teste de paciência — e de saúde mental. A EPTG, a Via Estrutural e a EPNB, principais artérias de ligação entre as áreas centrais e as cidades de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, estão à beira do colapso, apesar das tentativas paliativas de reversão de faixas e pequenas adequações viárias.

Nos horários de pico, engarrafamentos quilométricos são a regra, e não mais a exceção. Motoristas chegam a levar mais de duas horas para percorrer trajetos que, fora do rush, durariam menos de 30 minutos. E não são apenas os moradores do Distrito Federal que sofrem: cidades goianas como Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, cada vez mais integradas ao fluxo de trabalhadores da capital, também enfrentam os efeitos do esgotamento do sistema viário.

Diante desse cenário, é impossível não recordar da Via Interbairros, uma proposta ambiciosa — e extremamente necessária — que prometia desafogar o trânsito entre as regiões administrativas e o Plano Piloto. Mais do que uma promessa, foi um compromisso assumido em campanha pelo governador Ibaneis Rocha, ainda em 2018. A ideia era simples: uma via expressa moderna, conectando diretamente Samambaia ao centro de Brasília, aliviando o tráfego da EPTG e da Estrutural e oferecendo uma alternativa real de mobilidade para centenas de milhares de pessoas.

No entanto, a Via Interbairros continua presa no papel. Enquanto a população amarga os engarrafamentos diários, o projeto se arrasta entre estudos, reuniões e anúncios vagos, sem que nenhuma obra de fato tenha saído do chão. O tempo passa, o número de veículos cresce, e o poder público continua apostando em soluções temporárias para um problema estrutural que exige ações concretas e planejamento de longo prazo.

NÃO FALTAM RECURSOS
O DF tem autonomia orçamentária e arrecada bilhões por ano. Falta decisão política, falta prioridade, falta compromisso real com a mobilidade urbana. O que se vê é um governo que prefere anunciar obras de asfalto em regiões pontuais ou campanhas educativas do que enfrentar, de fato, o drama que o trânsito representa para milhões de trabalhadores que gastam horas do dia presos dentro de carros e ônibus lotados.

É hora de parar de empurrar a crise com a barriga. A Via Interbairros não é luxo nem capricho eleitoral. É uma necessidade urgente, um clamor das ruas, e um símbolo de respeito à população que constroi Brasília todos os dias — mas não consegue sequer chegar ao trabalho ou voltar para casa com dignidade.

 

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