Em meio às preocupações crescentes com o aquecimento global, uma solução tecnológica de impacto promete marcar um novo capítulo da luta contra as mudanças climáticas. Trata-se da “Mammoth”, a maior instalação de captura direta de carbono do mundo, que entrará em operação ainda este ano na Islândia. O projeto é liderado pela empresa suíça Climeworks, em parceria com o governo islandês e financiamentos de fundos ambientais.
Com capacidade inicial de retirar até 36 mil toneladas de dióxido de carbono da atmosfera por ano, o equivalente às emissões anuais de cerca de oito mil carros, a planta usará a tecnologia DAC (Direct Air Capture). Essa técnica suga o ar, filtra o CO₂ e o armazena debaixo da terra, em rochas basálticas, onde se transforma em minerais ao longo do tempo.
“Essa tecnologia não substitui a redução de emissões, mas é uma peça essencial no quebra-cabeça climático”, disse Jan Wurzbacher, CEO da Climeworks, ao portal Climate Tech Weekly.
Porém, nem tudo são flores. Críticos apontam o alto custo de manutenção das plantas e a demanda energética para seu funcionamento. O custo por tonelada capturada ainda gira em torno de US$ 600, valor considerado insustentável para larga escala, segundo relatório do IPCC.
Segundo Carlos Rittl, especialista em políticas ambientais e ex-secretário do Observatório do Clima, o Brasil tem potencial para liderar o uso de técnicas de captura natural, como restauração florestal e uso de biochar. “Mas sem investimento em pesquisa e desenvolvimento, ficamos fora do jogo tecnológico”, alerta.
Impacto no cotidiano
Além de ser uma esperança para o planeta, a Mammoth sinaliza o início de um mercado bilionário que pode influenciar políticas públicas, iniciativas privadas e até valores de mercado no futuro próximo.


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