Mesmo com a inflação dando sinais de alívio, o Banco Central avisou nesta quinta, 14, que não pretende reduzir a Selic tão cedo. A taxa básica segue em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, e deve permanecer assim “por tempo bastante prolongado” para garantir que os preços voltem ao centro da meta.
A avaliação foi apresentada pelo diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, que destacou a pressão vinda do setor de serviços e a força do mercado de trabalho como fatores que ainda sustentam a inflação. Segundo ele, cortes prematuros nos juros poderiam colocar em risco o processo de desaceleração, que no acumulado de 12 meses levou o IPCA de 5,35% para 5,23% em julho.
O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu, no mês passado, a sequência de sete altas seguidas, mas manteve a taxa no patamar mais elevado em quase duas décadas. A decisão, segundo o BC, serve para avaliar os efeitos das medidas já adotadas e medir se a queda da inflação será consistente.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vê espaço para redução antes do previsto e afirmou que os juros estão “excessivamente restritivos”. Ele aposta que o IPCA encerrará 2025 abaixo de 5%, abrindo margem para cortes ainda neste ano, cenário que o BC trata com cautela.
Economistas projetam que a primeira redução na Selic só deve ocorrer no início de 2026, desde que a inflação e as expectativas de mercado sigam em trajetória de queda. Até lá, empresas e consumidores terão de conviver com crédito caro e condições mais duras para investir.


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