A guerra em Gaza ganhou novo capítulo nesta quarta, 27, com a entrada de tanques israelenses no bairro de Ebad-Alrahman, na periferia da Cidade de Gaza. O avanço militar provocou destruição de casas, deixou feridos e forçou dezenas de moradores a fugir às pressas. O episódio ocorre horas antes de uma reunião em Washington, que será conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar do conflito.
Testemunhas relataram que a ofensiva surpreendeu a população local. “De repente, ouvimos os tanques entrando, as explosões ficaram mais fortes e vimos pessoas correndo para fora de suas casas”, contou Saad Abed, ex-trabalhador da construção civil, de 60 anos. Israel considera a Cidade de Gaza o último grande reduto do Hamas e já sinalizou que prepara uma nova fase da guerra.
Cerca de metade da população do enclave, estimada em dois milhões de pessoas, ainda vive na capital. Autoridades israelenses disseram que os civis serão orientados a deixar a área, mas líderes cristãos anunciaram que permanecerão nos complexos religiosos para cuidar dos que não conseguem fugir. “Sair seria uma sentença de morte”, alertaram em nota conjunta o Patriarcado Ortodoxo Grego e o Patriarcado Latino de Jerusalém.
O porta-voz militar de Israel, Avichay Adraee, afirmou que a saída dos moradores de Gaza é “inevitável” e que o país já começou a permitir a entrada de barracas no território. Organizações humanitárias estimam, no entanto, que são necessárias ao menos 1,5 milhão de novas tendas para abrigar a população deslocada.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, tem agenda com o chanceler israelense Gideon Saar. A expectativa é de que Trump use a reunião de hoje na Casa Branca para discutir saídas diplomáticas, ainda que Washington já tenha declarado esperar uma solução militar para Gaza até o fim deste ano.


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