O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, de 70 anos, foi condenado nesta quinta, 25, a cinco anos de prisão por conspiração criminosa. A decisão da Justiça francesa está relacionada a uma rede de contatos de seus assessores próximos com representantes da Líbia, em busca de recursos para financiar a campanha presidencial de 2007, quando o país era governado pelo ditador Muammar Gaddafi.
Segundo o tribunal de Paris, mesmo sem provas diretas de que Sarkozy tenha firmado um acordo com Gaddafi ou recebido o dinheiro, o ex-presidente permitiu a atuação de aliados na tentativa de captar recursos. A juíza destacou que o fluxo de valores era “opaco” e compatível com o período eleitoral, justificando a condenação.
Apesar da sentença, Sarkozy foi absolvido de outras acusações, incluindo corrupção e financiamento ilegal de campanha. O tribunal também julgou cúmplices de seu círculo político: Claude Guéant, ex-braço direito e ex-ministro do Interior, foi considerado culpado de corrupção, enquanto Brice Hortefeux, também ex-ministro, foi condenado por conspiração criminosa.
A condenação surpreendeu por sua rigidez: Sarkozy cumprirá a pena mesmo que recorra. Essa não é sua primeira derrota judicial — em 2024, a corte mais alta do país confirmou outra condenação por corrupção e tráfico de influência. Além disso, ele ainda responde a um processo por financiamento irregular na tentativa de reeleição em 2012.
Apesar das batalhas legais e da perda de sua Legião de Honra, Sarkozy segue influente na política francesa. Recentemente, se reuniu com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e reconheceu o partido Reunião Nacional, de Marine Le Pen, como parte do “arco republicano”, gesto que ampliou o debate sobre o futuro da direita no país.


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