Dezesseis anos após o desastre aéreo que chocou o mundo, a Justiça francesa volta a analisar a responsabilidade da Airbus e da Air France pela queda do voo AF447, que seguia do Rio de Janeiro a Paris em 2009 e matou 228 pessoas. O processo de apelação tem início nesta segunda, 29, em Paris, reacendendo a luta das famílias das vítimas por reconhecimento de culpa.
O primeiro julgamento, concluído em 2023, havia absolvido as duas empresas da acusação de homicídio culposo, apesar das evidências de falhas técnicas e de treinamento. À época, o tribunal destacou negligências, mas considerou que não havia vínculo direto suficiente para responsabilizá-las penalmente.
Agora, os advogados das famílias buscam reverter esse entendimento, argumentando que a tragédia poderia ter sido evitada se a Airbus tivesse agido de forma mais ágil diante dos problemas com as sondas de velocidade e se a Air France tivesse investido em treinamento adequado para os pilotos. “É doloroso reabrir as feridas, mas é essencial provar a responsabilidade criminal”, afirmou o advogado Sébastien Busy, que representa associações de parentes.
O acidente, considerado o mais grave da aviação francesa, expôs falhas de comunicação entre fabricante e companhia aérea, além de fragilidades no protocolo de resposta a incidentes técnicos em voo. O julgamento deve se estender por dois meses, com depoimentos de executivos da Airbus e da Air France, além de especialistas em aviação.
Embora a multa máxima prevista seja de 225 mil euros, a reabertura do caso é vista como simbólica: mais do que a punição financeira, familiares e promotores defendem que a decisão possa trazer catarse e consolidar mudanças de segurança já implementadas desde a tragédia.


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