Ouro dispara 43% em 2025 e supera bolsas, em meio a incertezas globais

O ouro está sob brilho intenso. Desde o início do ano, o preço do metal subiu 43% no mercado externo. Foi a maior alta desde 1980, considerando o período analisado (janeiro a setembro).

Em 2025, a valorização já supera em quase 30% o desempenho do S&P 500, índice que reúne as ações das principais empresas americanas e que também registra alta no ano. A busca pelo metal chama a atenção, pois é um sintoma de que algo não vai bem no cenário econômico externo. Isso se dá porque, quando outros ativos considerados seguros (como o dólar, euro e outras moedas fortes) enfrentam uma menor confiança, o ouro costuma se valorizar.

E essa é uma história já vista antes. No início da pandemia de covid-19, por exemplo, o preço do ouro disparou, enquanto ativos como o dólar e as bolsas de valores perderam valor. Pouco mais de uma década antes, na véspera da crise econômica de 2008 que afetou diversos países, o ouro também passou por um longo período de valorização. Por não saberem exatamente o que aconteceria com a economia global durante o período de turbulência, os investidores se desfizeram dos outros ativos, enquanto buscaram no ouro alguma segurança.

Agora, em 2025, o ouro voltou a bater um recorde atrás de outro. Desta vez, qual percepção de risco tem causado a busca pelo ativo?
Não parece haver uma causa única. Diversos fatores que surgiram no cenário externo ao longo dos últimos anos (e, em especial, nos últimos meses) trouxeram um sinal de alerta, como:

Questões geopolíticas
O ouro tem sido escolhido por países que querem reduzir sua posição em ativos emitidos por outros governos, como os títulos de dívida pública e as próprias moedas. Um exemplo disso é a China. A segunda maior economia do mundo vem gradualmente reduzindo a participação de títulos de dívida americana (os chamados treasuries) nas suas reservas. Em paralelo, o banco central chinês tem comprado ouro.

Alto endividamento dos governos
O crescente endividamento no mundo é outra preocupação. Quando há desconfiança sobre a capacidade de pagamento de um país de sua dívida, cresce o medo de que aquele governo recorra à emissão de moeda para se financiar – o que desvaloriza a moeda local. O diferencial do ouro, nesse caso, é que ele não pode ser “emitido” pelos governos. Seu volume cresce lentamente, conforme a produção das minas, e o que circula no mercado é essencialmente o que já existe em estoques. Por isso, o metal mantém seu valor ao longo do tempo.

Menor previsibilidade na política econômica dos EUA
Persistem também dúvidas em relação ao ambiente institucional americano. A adoção de tarifas em larga escala, a maior incerteza sobre a política externa e a busca da Casa Branca para influenciar as decisões de juros são fatores que contribuíram para isso.
A mudança de percepção também tende a enfraquecer o dólar e privilegiar o ouro, dada a menor clareza sobre os rumos da economia dos EUA.

Na última semana, a valorização do ouro teve um novo impulso: a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de reduzir a taxa básica de juros e sinalizar novos cortes nos próximos meses.

Com esse movimento, os títulos do Tesouro americano, considerados um dos ativos mais seguros do mundo, ficaram menos atrativos, o que leva o dólar a perder valor. Com todos os componentes políticos e econômicos na conta, é difícil saber qual o limite para a valorização do ouro.

SUA CONTABILIDADE EM ORDEM?

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*