O governo israelense anunciou neste último sábado, 18, que a passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, continuará bloqueada por tempo indeterminado. Segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ponto de fronteira só será reaberto após o Hamas entregar todos os corpos dos reféns israelenses mortos durante o conflito.
A decisão foi comunicada pouco depois de a embaixada palestina no Egito informar que a passagem seria reaberta na segunda-feira, permitindo a entrada de ajuda humanitária e o deslocamento de civis. A declaração de Netanyahu frustrou as expectativas e voltou a colocar em xeque o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
De acordo com o Hamas, mais dois corpos de reféns devem ser entregues ainda neste sábado, elevando para 12 o número total devolvido até o momento — de um total de 28 previstos no acordo de trégua. O pacto, negociado sob um plano de 20 pontos proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, prevê também a libertação de todos os reféns israelenses vivos em troca de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Israel acusa o grupo palestino de atrasar a entrega dos corpos, alegando dificuldades para localizar os restos mortais em meio à destruição em Gaza. Pelo mesmo acordo, o governo israelense deve devolver 360 corpos de militantes palestinos, mantendo a proporção de 15 para cada corpo israelense recebido.
Fechada desde maio de 2024, a fronteira de Rafah é essencial para a entrada de ajuda humanitária em Gaza, onde a fome atinge centenas de milhares de pessoas. Desde o início do cessar-fogo, cerca de 560 toneladas de alimentos entram diariamente no território, número ainda insuficiente para atender às necessidades, segundo o Programa Mundial de Alimentos da ONU.
O futuro do acordo ainda é incerto. Questões centrais como o desarmamento do Hamas, a criação de uma força internacional de estabilização e o possível reconhecimento de um Estado palestino seguem sem consenso entre as partes.


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