A Polícia Federal prendeu nesta terça, 18, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em uma ação que investiga supostas irregularidades na negociação de venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB). A operação, denominada Compliance Zero, também inclui o sócio Augusto Lima entre os alvos. Ao todo, foram determinados cinco mandados de prisão preventiva, dois temporários e 25 de busca e apreensão.
Segundo a investigação, há indícios de que o Banco Master tenha emitido títulos de crédito falsos, que teriam sido repassados ao BRB. Depois de uma fiscalização do Banco Central, esses títulos teriam sido substituídos por outros ativos que, segundo a PF, não passaram por uma avaliação técnica adequada. Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Em setembro deste ano, o Banco Central negou a aquisição de parte do Banco Master pelo BRB, após cinco meses de análise regulatória. Fontes ouvidas pela investigação apontam que um dos motivos decisivos para a recusa foi o risco de o BRB abraçar “ativos podres” do Master — ou seja, ativos de baixa qualidade ou de risco elevado.
Desde o começo das negociações, analistas já levantavam a hipótese de que a operação serviria como um sossego financeiro para o Master, com o banco público (BRB) atuando como uma espécie de “resgate indireto”. Essa suspeita de uso do BRB para socorrer o Master reforça os sinais de uma estrutura societária complexa e de risco sistemático para os acionistas públicos.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não divulgou manifestação oficial sobre as prisões ou as acusações. A investigação segue em curso, e a Polícia Federal não informou a previsão de conclusão da apuração.
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