Os casos de sarampo no mundo despencaram 71% entre 2000 e 2024, chegando a 11 milhões, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta, 28. A queda se deve principalmente ao avanço da cobertura vacinal, que evitou quase 59 milhões de mortes no período.
Apesar dos números positivos, a OMS registrou um ressurgimento da doença no último ano. As infecções aumentaram 8% em relação aos níveis pré-pandemia, ainda que as mortes tenham caído 11% — reflexo de surtos concentrados em países de renda média, onde a taxa de letalidade é menor. Para a organização, o cenário revela falhas nos sistemas de imunização e a fragilidade de programas nacionais de saúde.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que o sarampo “explora qualquer lacuna” na vacinação, reforçando que pequenas quedas de cobertura são suficientes para desencadear novos surtos. Em 2024, 59 países registraram episódios grandes ou perturbadores, o maior número desde a pandemia. Até nações de alta renda enfrentaram retrocessos. O Canadá, por exemplo, perdeu o status de eliminação do sarampo após não conter um surto prolongado.
Estados Unidos e México também relataram milhares de casos neste ano. A OMS alertou ainda que cortes no financiamento da Rede Global de Laboratórios de Sarampo e Rubéola podem ampliar a vulnerabilidade global em 2025. No ano passado, 84% das crianças receberam a primeira dose da vacina e 76% receberam a segunda, níveis insuficientes para garantir a proteção ideal, que exige ao menos 95% de cobertura com as duas doses.


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