Em um cenário marcado por dor, instabilidade e busca por respostas, o papa Leão XIV concluiu nesta terça, 2, sua visita de três dias ao Líbano com uma mensagem direta à comunidade internacional: o Oriente Médio precisa romper ciclos de violência e assumir caminhos inéditos em direção à paz. Diante de cerca de 150 mil pessoas reunidas à beira-mar em Beirute, o pontífice defendeu novas abordagens políticas e religiosas para superar divisões e reconstruir esperança em uma região abalada por conflitos e crises prolongadas.
Ao presidir a missa pública, Leão pediu que o mundo rejeite “a mentalidade de vingança” e se comprometa com a reconciliação. O líder católico também exortou cristãos do Oriente a demonstrarem coragem diante das adversidades, reforçando o papel do Líbano como potência simbólica da convivência entre povos e credos.
A viagem pontifícia ganhou força emocional ao incluir uma parada no Porto de Beirute, local da explosão de 2020 que matou 218 pessoas e se tornou símbolo de impunidade e disfunção estatal. Ali, o papa rezou em silêncio diante do monumento às vítimas, cumprimentou familiares um a um e reforçou o apelo pela responsabilização judicial. “Este país precisa pôr fim à impunidade e garantir justiça”, disse uma parente de vítima ao acompanhar o encontro.
Em sua homilia, Leão reconheceu as crises econômicas, o trauma da explosão e o temor de novos conflitos, especialmente envolvendo Israel. Ainda assim, instou os libaneses a rejeitarem a resignação e reconstruírem o ideal de um país onde “paz e justiça reinem”. O papa norte-americano também visitou o hospital De La Croix, dedicado ao atendimento psicológico, antes de embarcar de volta a Roma.


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