O plano dos Correios de captar R$ 20 bilhões para reforçar o caixa e financiar sua reestruturação sofreu revés nesta semana. O Tesouro Nacional rejeitou a operação por considerar abusiva a taxa de juros exigida pelo grupo de bancos que se dispôs a conceder o crédito.
A proposta, aprovada pelo Conselho de Administração da estatal no sábado, 29, envolvia Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. Essas instituições pediam juros equivalentes a 136% do CDI — índice acima do teto de 120% permitido para empréstimos garantidos pela União por prazo de dez anos. Sem o aval do Tesouro, a União não pode oferecer garantia contra calote, deixando o negócio mais arriscado para os bancos.
Segundo fontes envolvidas na negociação, Correios e bancos ainda podem tentar rever o acordo para adequar a taxa ao limite de 120% do CDI. Outra alternativa apontada é que a estatal aguarde um aporte direto do Tesouro para cobrir parte do deficit acumulado, que soma R$ 6,05 bilhões entre janeiro e setembro.
O CDI, referência para operações interbancárias, acompanha a taxa Selic e é ligeiramente inferior a ela. Na prática, a taxa exigida pelos bancos representaria juros próximos a 20% ao ano, enquanto o limite autorizado ficaria perto de 18%.


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