Mesmo com a inflação em trajetória de queda, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve adotar cautela na decisão desta quarta, 10, e manter a taxa Selic em 15%, segundo projeções da XP. Para a instituição, o ciclo de cortes só deve começar em março, com taxa final de 12% ao término de 2026.
No relatório assinado por Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, os economistas destacam que a desaceleração inflacionária é evidente, mas avança “de forma mais gradual e menos intensa do que o esperado”. Os núcleos do IPCA, pela primeira vez em meses, voltaram a rodar próximos à meta, enquanto o índice ao produtor voltou ao campo negativo impulsionado pela queda nos preços dos alimentos.
A XP aponta ainda que a atividade econômica começa a perder fôlego. A produção industrial, o varejo e o setor de serviços mostram desaceleração, e o PIB do terceiro trimestre ficou praticamente estável. O câmbio também contribuiu, com a cotação média do dólar caindo de R$ 5,40 para R$ 5,35 nos últimos dez dias. Commodities como alimentos e petróleo recuaram desde a última reunião, criando um ambiente mais favorável ao IPCA.
Apesar do quadro mais benigno, o relatório alerta para riscos que impedem uma redução imediata nos juros. O principal deles é a política fiscal expansionista de governos federal e estaduais — em ano eleitoral —, que pode reacelerar a demanda interna e reavivar pressões inflacionárias. Esse movimento, segundo a XP, pode limitar o espaço para cortes mais profundos ao longo de 2026.
A expectativa da casa é que o Copom mantenha a Selic no nível atual por um período adicional, retirando gradualmente o compromisso de conservá-la em patamar elevado por “tempo bastante prolongado”.


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