Ibaneis perde força após crise do Banco Master e vê cenário eleitoral se complicar no DF

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, entra no mês de março sob forte desgaste político provocado pelos desdobramentos da liquidação do Banco Master e pela repercussão do envolvimento do Banco de Brasília (BRB) na tentativa de operação com a instituição financeira. O episódio atinge diretamente o principal ativo político do chefe do Executivo local: a imagem de gestor.

A crise ganhou dimensão após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master, em novembro de 2025, no contexto de investigações sobre a saúde financeira da instituição e suspeitas de irregularidades. A operação teve impacto em cerca de 1,6 milhão de clientes e levou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a mobilizar dezenas de bilhões de reais para cobrir prejuízos, um dos maiores socorros do tipo já registrados no país.

Antes disso, o BRB havia anunciado a compra de participação relevante no banco privado, operação que acabou barrada pelos órgãos reguladores. A iniciativa colocou o banco público do DF no centro do debate sobre riscos financeiros e governança, respingando politicamente no Palácio do Buriti.

Desgaste político e efeito eleitoral
Embora Ibaneis não seja investigado, adversários passaram a explorar o episódio como símbolo de má gestão e de decisões consideradas temerárias na condução do BRB, instituição que se tornou uma das vitrines de sua administração.

Nos bastidores, a avaliação de aliados é que o governador chega mais fragilizado ao momento em que precisa se desincompatibilizar do cargo para disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições de 2026, movimento esperado ainda em março.

O cenário se torna mais adverso porque o campo da direita no Distrito Federal tende a ficar mais competitivo. A possível entrada da deputada Federal do PL, Bia Kicis e a força eleitoral da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que sairão candidatas ao Senado pelo PL,  ampliam a fragmentação desse eleitorado, reduzindo o espaço político que antes parecia consolidado para Ibaneis.

BRB deixa de ser trunfo e vira ponto de pressão
Ao longo do mandato, o BRB foi apresentado como um case de expansão e modernização, com crescimento de ativos, ampliação da base de clientes e protagonismo nacional. Agora, a associação com o Banco Master transformou o que era ativo político em foco de questionamentos.

A oposição local passou a cobrar explicações sobre os critérios técnicos da negociação e sobre o nível de exposição do banco público a uma instituição que acabou liquidada.

Corrida eleitoral mais aberta
Com a perda de capital político e a entrada de novos nomes competitivos no mesmo campo ideológico, a disputa pelo Governo do DF tende a se tornar mais imprevisível.

A leitura entre analistas é que Ibaneis ainda mantém influência administrativa e uma base relevante, mas chega ao período pré-eleitoral em posição menos confortável do que a projetada antes da crise financeira.

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