Depois de uma madrugada de reviravoltas, o Centrão conseguiu emplacar sua manobra política. Na tarde desta quarta, 17, a Câmara dos Deputados aprovou a volta do voto secreto em decisões sobre a abertura de processos contra parlamentares, ponto central da chamada PEC da Blindagem. O dispositivo havia sido derrubado horas antes no plenário, mas foi recuperado por meio de uma emenda articulada pelos principais partidos do bloco.
A proposta, que altera a Constituição, estabelece que deputados e senadores só poderão ser investigados ou presos mediante autorização do Congresso. O texto-base da PEC nº 3/2021 já havia passado em dois turnos na noite anterior, com votações expressivas favoráveis, e nesta quarta os deputados analisaram destaques que poderiam modificar trechos polêmicos.
Para garantir a volta do sigilo nas votações, líderes de PP, União Brasil, Republicanos, MDB, PL, PSDB, Avante e Podemos, além do relator Cláudio Cajado (PP-BA), apresentaram uma emenda aglutinativa. Com ela, o plenário restaurou o texto original, apesar de a derrubada do sigilo ter ficado a apenas 12 votos de distância.
Nos dois turnos, a proposta obteve ampla maioria: foram 353 votos favoráveis no primeiro e 344 no segundo. Agora, caberá ao Congresso deliberar, em até 90 dias, sobre cada solicitação de investigação enviada pela Justiça. A autorização dependerá de maioria simples — 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
A decisão reacende o debate sobre transparência e proteção parlamentar, em um momento de forte tensão entre Legislativo e Judiciário.


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