Os Estados Unidos apreenderam um grande petroleiro próximo à costa da Venezuela, anunciou o presidente Donald Trump nesta quarta, 10, em uma ação que amplia o confronto com o governo de Nicolás Maduro e influenciou imediatamente os preços internacionais do petróleo.
Segundo Trump, o navio — descrito por ele como “muito grande, o maior de todos os tempos” — foi interceptado durante uma operação conduzida pela Guarda Costeira dos EUA. Três autoridades americanas confirmaram a ação sob anonimato, sem detalhar o nome da embarcação, sua bandeira ou o ponto exato da abordagem. Questionado sobre o destino da carga, Trump afirmou: “Acho que vamos ficar com ele”.
Informações do grupo britânico Vanguard indicam que o navio apreendido seria o Skipper, já sancionado pelos Estados Unidos por suposto envolvimento no comércio de petróleo iraniano, quando ainda se chamava Adisa. Imagens de satélite analisadas pela TankerTrackers.com mostram que o Skipper deixou o porto venezuelano de Jose entre 4 e 5 de dezembro carregado com petróleo pesado do tipo Merey.
A ofensiva marca a primeira ação pública contra um petroleiro desde que Trump ordenou o reforço militar na região e autorizou ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas — operações que, segundo especialistas jurídicos e parlamentares democratas, levantam dúvidas de legalidade e sobre o uso de força letal sem provas consistentes. Desde setembro, mais de 20 embarcações foram alvejadas, resultando em mais de 80 mortes.
A notícia da apreensão movimentou o mercado: os contratos futuros do Brent fecharam em alta de 0,4%, a US$ 62,21, enquanto o WTI avançou para US$ 58,46. Maduro, por sua vez, acusa Washington de buscar sua derrubada para controlar as reservas petrolíferas da Venezuela, membro da Opep, e critica a escalada militar americana na região.


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